segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Em 1976 soube de Dawkins e somente apos 31 anos iniciei a leitura de Selfish Gene

O livro de dawkins desde que foi lançado a 31 anos atras tem facinado estudantes de biologia e estimulado o início de suas carreiras científicas. Eu soube do lançamento do livro e das controvérsias que o envolviam, ao ler um trecho de uma pagina de jornal quando voltava da praia nos tempos em que veraneava em Balneário de Camboriu. Naquele tempo, qualquer pedaço de papel espalhado pela casa eu lia e era ávido por novidades o tempo todo. Havia muita carencia de informações e sequer se preconizava a existência da internet. As informações e novidades acadêmicas vinham sempre com atraso e o acesso a bons livros era muito difícil. Porque somente agora depois de 31 anos e com pilhas de compromissos para serem fechados ate o final do ano ainda arrumei tempo na agenda para ler Dawkins? A idéia do gene egoísta sempre me atraiu a atenção mas foi a facilidade de ler qualquer coisa a qualquer lugar oferecido pela portabilidade que o e-reader me oferece alem de sua capacidade de memória para armazenar um número enorme de livros e textos sem contar ainda com a facilidade de acesso a volumes completos pela internet, que me fez iniciar mais essa leitura. Antes me obriguei a terminar de ler em versão não eletrônica, o Ultimo Teorema de Fermat do autor britânico Simon Singh.

domingo, 18 de novembro de 2007

Quantos de nos sabe o verdadeiro sentido da evolução? E as profundas implicações da mesma?

Richard Dawkings em seu livro Selfish Gene publicado em 1976 o qual estou iniciando a leitura do original em inglês colocou a seguinte questão bem na pagina inicial "Have they (our civilization) discovered evolution yet? Esta pergunta seria feita por criaturas superiores, supostos visitantes extraterrestres antes de abordar qualquer tema sobre a nossa civilização. Parece que para Dawkings e outros que conhecem profundamente a teoria da evolução e suas profundas implicações sobre a nossa existência, é algo de extrema importância. Para uma civilização isso representa um importante marco e segundo o zoologista G.G. Simpson esse marco profundo divide o nosso entendimento de como somos antes de 1859 e depois. Segundo Simpson a descoberta de Darwin e tão importante que qualquer questão sobre a nossa origem que era feita antes desse marco histórico deveria ser ignorado completamente. Hoje as duvidas que pairam sobre a teoria da evolução são as mesmas que pairam se a terra órbita o sol! Dawings acrescenta: "Os organismos vivos tem existido sobre a terra, sem sequer saber de o porque, por dezenas de milhares de anos antes de que a verdade final se revelou para apenas um deles. Esse ser iluminado se chama Charles Darwin!”A teoria da evolução biológica ainda não me dá respostas, pois o que procuro esta muito alem do entendimento de nossa existência biológica, mas fiquei surpreso ao tomar conhecimento através de trabalhos publicados por físicos de que como existem centenas de milhares de espécies, é possível que exista centena de milhares de universos que estao em constante processo de morte e nascimento, e que "pasmem"o processo evolucionário também ocorre no surgimento de novos universos. Seria a evolução cosmológica!

sábado, 17 de novembro de 2007

aulas de religião - episódios desagradáveis da história de Abraão

A história mais infame que se contava nas aulas de doutrina sobre Abraão e seu Deus era a do sacrifício de seu filho Isaac. Na minha casa havia um compêndio ilustrado do velho testamento e era um dos poucos livros disponíveis. Não é surpresa dizer que havia lido varias vezes. As ilustrações eram em forma de gravuras sem cores (tipo ilustração de catecismo, iguais aos de Zé Zéfiro não no tema, mas na forma como as gravuras eram feitas). As cenas mostravam certa crueldade naquele povo e aquela imagem do um menino Isaac amarrado junto a um molho de lenha sobre um altar de sacrifício entre outras gravuras aterrorizantes, foi um grande choque para a minha mente infantil. Tanto que mantenho vívida essas imagens até hoje na memória. Esse menino Isaac (as escrituras mulçumanas tambem contam a mesma história sobre Ismael outro filho de Abraão) seria sacrificado a mando de Deus, mas fiquei consolado ao saber que aquela faca assassina apontada para o peito do menino não fora usada pois Deus resolvera mudar de plano no último momento. Segundo as intrepretações, Deus estava pondo Abraão a prova apenas testando a sua fé. Uma criança nos nossos tempos ao passar por uma situação de tamanho terrror tomaria inúmeras sessões de terapia para se recuperar do trauma psicológico. Que Deus grotesco era esse? Usando as palavras de Dawkins " Essa história vergonhosa é ao mesmo tempo um exemplo de abuso infantil, intimidação em dois relacionamentos assimétricos de poder e o primeiro uso registrado da defesa de Nuremberg quando os Nazistas se defenderam dizendo: Eu só estava seguindo ordens". Nos tempos atuais o Ministério Público teria processado Abraão por maus-tratos contra menores.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

aulas de religião - O Deus abraâmico e historias de Jesus

Se ao menos a religião servisse para satisfazer a minha curiosidade sobre o universo, sobre a sua origem e sobre o nosso lugar nele eu já teria obtido a resposta para a minha questão primeva já nas aulas de religião. Na época essas aulas eram conhecidas como aula de catecismo ou doutrina religiosa. O catecismo era um livro usado nessas aulas com gravuras em preto e branco ilustrando o conteúdo. Mais tarde na minha adolecencia conheci outra forma de catecismo, os de Zé Zéfiro, para a minha alegria de de toda a molecada da minha idade. Sobre as aulas de doutrina religiosa no meu tempo de criança, essas eram proferidas por freiras e padres. Algumas dessas aulas discorriam sobre apavorantes histórias de pecadores condenados ao eterno fogo do inferno. O meu cérebro de criança deveria aceitar quase tudo o que era doutrinado dentro do espírito que o orador almejava pois era difícil não acreditar nas histórias, pois vinha de um adulto que tinha autoridade e eram proferidas de forma contundente. Mas quanto mais eu ouvia e via mais confuso ficaca e aquilo definitivamente não fora feito para mim e havia muito esquisitice naquelas narrações. Eu ficava refletindo sobre tudo o que me era passado e as coisas não fechavam. Não havia lógica! Pior do que as inconsistências eram as mensagens conflitantes. A imagem de Deus que me passaram era a das piores possíveis. Era a do Deus de Moisés, que usando palavras de Thomas Jefferson (fonte do Deus um delírio) era um ser de caráter terrível, cruel vingativo, caprichoso e injusto. Moisés é o fundador doutrinário do judaísmo e das religiões que derivaram dele. Falarei depois do episódio do bezerro de ouro que esta vívido em minha memória até hoje. Falarei disso talvez em mais de uma postagem. Porem, o deus mais desagradável que me fora apresentado nessas aulas, era o Deus de Abrão, o patriarca original de todas as três religiões monoteístas. Esse senhor de barbas, ficava sentado sobre uma nuvem cercado de anjos Arcanjos, Serafins, Querubins e outros puxa sacos. Ele tinha uma obsessão mórbida por restrições sexuais, era misógino, sanguinário, ciumento e excessivamente adepto ao nepotismo. A cena mais apavorante naquelas aulas de doutrinação era a de um menino amarrado envolto em galhos secos sobre uma pira de pedra que servia de altar de sacrifício pronto a ser imolado por seu pai a mando desse infanticida de longas barbas ( sempre representado sentado em uma nuvem com dedo em riste). Falarei mais disso em outra oportunidade. No novo testamento, surgiu então um ser efeminado, manso e suave que fora conduzido ao martírio mais terrível que um ser humano possa suportar a crucifixão. Todos os anos na véspera da páscoa era aquela agonia, ter de ouvir em silêncio aquela mesma historia de dor, sofrimento, tortura, morte e sangue. O mais difícil ainda de ser aceito era o conselho que nos era passado: todas as crianças cristãs devem ser calmas, obedientes, boas como ele (Jesus). Definitivamente aquilo não era para mim! Me chocavae continuo a me chocar vendo as pessoas se ornando pendurando aos seus pescoços por uma corrente a mais cruel ferramenta de tortura que existe sobre a face da terra. Essas pessoas só podiam estar delirando! Como é possível perceber, as aulas de religião jamais conseguiram satisfazer as minhas dúvidas sobre a nossa existencia e foram na verdade fonte de grande confusão mental, até que alguem me disse "É apenas uma alegoria, uma forma de ensinar as pessoas simples as coisas complexas da vida". Pode ser que seja assim, mas porque a igreja com tanto poder e dinheiro não procurou usar de recursos didáticos para ensinar a verdade? Porque enganar as pessoas desse jeito ensiando de forma desonesta coisas que não fazem sentido nenhum? Foi então que me ancorei na ciência onde passei a depositar as minhas esperanças de poder obter a verdade. Hoje tenho plena convicção de que tomei o caminho certo.

domingo, 11 de novembro de 2007

O mistério é...

... porque qualquer coisa existe. Porque a existencia é preferencial ao nada. Quem veio primeiro, a existência ou o nada?

sábado, 10 de novembro de 2007

Quantos universos existem nos átomos do meu corpo?

Hoje terminei de ler o artigo de David Bohm intitulado "A new theory of the relationship of mind and matter" Philosophical Psycology, vol 3 (2) 271-286, 1990. No artigo Bohm cita fatos curiosos conhecidos da física e que já foram de meu conhecimento durante a leitura de diversos livros sobre cosmologia. Segundo sua descrição, "atualmetne a menor distância que já foi medida em física são as distâncias na escala de 10^-16 cm ou uma unidade precedida de dezesseis zeros. Algo muito pequeno! Talvez o nosso pensamento não caiba lá dentro! Por outro lado, a menor distância prevista na fisica teórica é a da ordem de 10-33cm, o chamado comprimento de Planck. Algo inimaginável! Nessa escala, os conceitos de espaço, tempo e matéria mudam radicalmente segundo o entender da física contemporânea. Entre as grandezas de 10 -16 até 10 -33cm existe um fator de 17 ordens de grandeza, o qual é aproximadamente o mesmo que entre 10 -16cm e as distancias macroscópicas (da ordem de 10 cm). Entre 10cm e 10-16 cm há espaço para uma enorme possibilidade de estruturas. Um universo de possibilidades existem dentre dessa ordem de grandeza. Se cogita haver uma enorme possibilidade de haja estruturas com inteligência entre 10 -16 cm e 10 -33cm e quem sabe alem disso. Bohm cogita que possa haver estruturas complexas mesmo a distâncias tão curtas como 10-33cm". Interessante acrescentar as sugestões de David Bohn de que há consciência dentro dessas dimensões. As partículas (o elétron) poderiam ter em sua constituição certa estrutura complexa a ponto de conferir certa consciência e inteligência. Haveria então um número finito de universos microscópicos dentro da matéria? Haveria um número finito de existências dentro dos átomos que compõem os nossos corpos, as rochas e toda a matéria? Quando Eu era criança achava que isso era possível, depois desisti de pensar nessas coisas, achando que era bobagem ou algum devaneio de um irrequieto DDA sonhador. Me alegra saber que essa idéia possui forte base cientifica e agora pode reacender em minha mente (inspirado agora por um físico matematico de grande prestígio). O mais fantástico é que experimentos usando fotons e elétrons conduzidos em laboratório comprovam essas suspeitas. Parece que o elétron ou o fóton já "sabem" de antemão o que lhes espera ao passar por um arranjo experimental e entao se comportam como se fossem ondas ou partículas dependendo do que o experimentador (observador) planejou medir.


sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Bootstrapping

O Bootstrapping é como se alguem pudesse se auto suspender (se levantar) totalmente do chão puxando com suas mãos os laços de seu proprios sapatos e pudesse se manter suspenso como se levitando! largando o laço, cairia no chão. Algo difícil de se acreditar! A noção do Bootstrapping da qual fui adepto por algum tempo, e que tomei conhecimento lendo o livro de Fritjof Capra - The Tao of Physics - quando usado como conceito para o entendimento da existência, basea-se na idéia de que a existência ( a realidade) se autosustenta e persiste através de um ciclo de interações fechado e autosustentado. Seria como se a realidade complexa fosse construída sobre nenhum fundamento ou sobre fundamentos muito simples. A teoria das cordas deu um chega pra lá nessa hipótese que esteve muito em voga nos anos 60 e 70 no círculo dos físicos da partículas. O problema da noção do bootstrapping é que êle só é satisfeito se a não existência ficar de "fora" do ciclo de interação entre todas as coisas materiais ( o que os físicos chamam de partículas) para que por definição se permita a existência relativa. Na verdade, o bootstrapping simplesmente remove a contradicao aparente entre a existência e não existência, todavia não a elimina. Como algo pode surgir do nada? Nesse contexto, a não existência tambem seria parte da realidade e o bootstrapping não se sustentaria! Parece coisa de louco, mas foi isso que li hoje em um Blog. Tem mais coisas nesse Blog que foram colocadas de forma muito clara mas que não posso concordar de todo.
A não existencia que Eu experienciava naqueles momentos efêmeros parece ser outra coisa! Amanhã escreverei mais....
Sobre o livro de Capra (O tao da Física), este Eu li em um voo do Rio para Frankurt em fevereiro de 1989. Na época achei bastante interessante algumas colocações de Capra e aquilo mudou a maneira como Eu poderia perceber a existência e a nossa noção de realidade. Havia um capítulo onde Capra usava algumas ilustrações para mostrar como o nosso cérebro percebe a realidade. Algo parecido é usado de forma elegante nas paginas iniciais do livro O fenótipo estendido (The extended Phenotype) de Richard Dawkins, quando recorre à metáfora do cubo de Necker para mostrar como podemos venxergar a mesma coisa por uma diferente maneira. A nossa percepção de realidade é algo que devemos trabalhar muito se o objetivo é conhecer a verdade primeva!