sábado, 17 de novembro de 2007

aulas de religião - episódios desagradáveis da história de Abraão

A história mais infame que se contava nas aulas de doutrina sobre Abraão e seu Deus era a do sacrifício de seu filho Isaac. Na minha casa havia um compêndio ilustrado do velho testamento e era um dos poucos livros disponíveis. Não é surpresa dizer que havia lido varias vezes. As ilustrações eram em forma de gravuras sem cores (tipo ilustração de catecismo, iguais aos de Zé Zéfiro não no tema, mas na forma como as gravuras eram feitas). As cenas mostravam certa crueldade naquele povo e aquela imagem do um menino Isaac amarrado junto a um molho de lenha sobre um altar de sacrifício entre outras gravuras aterrorizantes, foi um grande choque para a minha mente infantil. Tanto que mantenho vívida essas imagens até hoje na memória. Esse menino Isaac (as escrituras mulçumanas tambem contam a mesma história sobre Ismael outro filho de Abraão) seria sacrificado a mando de Deus, mas fiquei consolado ao saber que aquela faca assassina apontada para o peito do menino não fora usada pois Deus resolvera mudar de plano no último momento. Segundo as intrepretações, Deus estava pondo Abraão a prova apenas testando a sua fé. Uma criança nos nossos tempos ao passar por uma situação de tamanho terrror tomaria inúmeras sessões de terapia para se recuperar do trauma psicológico. Que Deus grotesco era esse? Usando as palavras de Dawkins " Essa história vergonhosa é ao mesmo tempo um exemplo de abuso infantil, intimidação em dois relacionamentos assimétricos de poder e o primeiro uso registrado da defesa de Nuremberg quando os Nazistas se defenderam dizendo: Eu só estava seguindo ordens". Nos tempos atuais o Ministério Público teria processado Abraão por maus-tratos contra menores.

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